Tuesday, April 18, 2006

- Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

- Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia,
corajosamente,
Olhei noutro sentido e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.

- Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga, 1975

1 comment:

AR said...

Continuará a ser sempre um dos meus poetas de eleição.